Em entrevista, Cunha afirma que Dilma e o PT ofereceram votos para livrá-lo do Conselho de Ética

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), afastado da presidência da Câmara e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que conseguirá voltar às suas atividades e que seu afastamento foi arbitrário. Em sua primeira entrevista desde o afastamento, Cunha ressalta ainda que a presidente Dilma Rousseff errou em quase tudo.

De acordo com Cunha, o ex-governador da Bahia e ex-ministro-chefe do Gabinete Pessoal de Dilma, Jaques Wagner ligou para oferecer os votos dos três petistas do Conselho de Ética e que foi ele, Cunha, que não quis ser comprado pelo PT.

Sobre ter aceitado o pedido de impeachment, Cunha utiliza o mesmo argumento há alguns meses. Diz ter recebido 53 pedidos, dos quais rejeitou 41, aprovou um e deixou 12 sem decisão (a conta daria 54). Segundo ele, não há relação entre a aceitação do pedido e o trâmite do processo no Conselho de Ética.

À Folha de São Paulo, Cunha afirma ainda que Dilma Rousseff tentou reiteradamente reestabelecer a ligação e chegou a dizer que contava com cinco ministros do STF para ajudá-lo no caso de necessidade, mas diz ter tratado o assunto como “bravata”.

“Eu não acredito que alguém possa ter cinco ministros do Supremo sob seu controle. Não existe isso, eu respeito a Suprema Corte e não entendo isso. Eu entendo isso como uma, digamos assim, como uma bravata”.

Embora rechace a possibilidade de alguém influenciar na Lava Jato, Cunha diz que há seletividade. Aponta o dedo para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Janot, segundo Cunha, resolveu ser seu inimigo.

Entre outras afirmações e negativas, Cunha diz que não financiou ou ajudou na campanha de centenas de deputados federais e que trabalhou para conseguir financiamento para candidaturas do seu partido. Confirmou que não irá renunciar para facilitar a vida de ninguém como sugerem alguns deputados diante da necessidade de retirar Waldir Maranhão da presidência interina da Câmara e que convencerá o STF a restituir seu mandato.

Segundo Cunha, não é possível saber se o impeachment aconteceria se não fosse ele o presidente da Câmara na ocasião, no entanto, diz que Deus o colocou lá para decidir. Questionado pela reportagem se Deus quereria o impedimento da presidente, declarou que nada acontece se a anuência divina.

Instado a comentar o que diria se estivesse de frente para a presidente afastada Dilma Rousseff, Cunha saiu-se com: tchau, querida!

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