O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), passou o final da tarde e início da noite desta terça-feira (12) recebendo deputados federais alinhados ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Sentando na cadeira do gabinete da presidência, Cunha contava os planos para votação de domingo e mapeava os votos que terá a favor do relatório.
“Acredito que ficará entre 380 e 390, mas temos que esperar”, declarou à reportagem do Bocão Newsem uma conversa rápida. Cunha tem evitado dar entrevistas diante do fato de que é apontado como principal articulador do impeachment e de que está implicado na Operação Lava Jato, além de responder por quebra de decoro parlamentar no conselho de ética da Casa.
Sobre estes assuntos, nada foi comentado. A pauta em foco é o impeachment da presidente Dilma Rousseff. De acordo com ele, a Câmara continuará com sessões até o início da votação do relatório aprovado pela comissão especial, de autoria do deputado Jovair Arantes (PTB-GO). As articulações nestes dias acontecerão a pleno vapor e para isso, como consentiu o peemedebista, é preciso manter algumas atividades no Plenário.
Enquanto conversava com a reportagem do Bocão News, a sala de Cunha foi visitada por, pelo menos, oito parlamentares de diversas colorações partidárias. Chegavam, acenavam com o polegar levantado e partiam, como se estivessem informando resultado de negociações bem-sucedidas. Embora não afirme peremptoriamente, aliados do presidente garantem que PT e PCdoB e Psol tendem a ficar isolados na votação.
A ordem de votação foi alvo de críticas de quem defende o governo Dilma, mas o presidente resolveu iniciar pelos deputados do Sul e Sudeste. Uma primeira lista foi divulgada na semana passada dando conta de que seriam intercalados por região. Primeiro os do Norte, depois Sul, depois Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, mas Norte e Nordeste, regiões onde a presidente Dilma tem uma base supostamente mais forte, serão deixadas por último.
Senado
Cunha refutou qualquer possibilidade de discutir publicamente um pós-impeachment. Segundo ele, o que se pode dizer é que o dia seguinte à votação (segunda-feira,18) será ruim. “Independente do resultado será um dia difícil. Se o impeachment passar, tem a militância que existe. Se não passar, esta Câmara terá um ambiente complicado”.
A minoria necessária para que Dilma consiga barrar o impeachment não garante à presidente uma base para no dia seguinte continuar a governar. A base está estraçalhada e, como um deputado baiano que pediu para não ter o nome divulgado afirmou: será tarefa das mais caras e complicadas reorganizar uma bancada de situação, após tanta gente votar contra o governo. “Na hora do voto, a tentação pela traição cresce”, assegura este mesmo parlamentar.
Sobre o Senado, Cunha mantém a relação estremecida com Renan Calheiros, presidente daquela Casa, contudo, deputados que estiveram com Calheiros nesta semana, revelaram que ele está cauteloso. Antes, defendia a derrubada do impeachment publicamente, agora, já anularam esta zona de influência.
Cunha diz que será muito difícil, no primeiro momento, os senadores decidirem algo contrário à Câmara se aprovação for por ampla maioria, como prognóstico feito por seus interlocutores. No Senador, ressalta-se, é preciso maioria simples, ou seja, 41 votos.
Painel
O presidente da Câmara promete surpreender os deputados federais na votação. Pediu para equipe desenvolver um sistema específico para demonstrar, no painel, o voto de cada deputado quando cada um for convocado a escolher. Aparecerá, a foto, o nome, o partido, o estado e, obviamente, o voto (sim ou não). Outra ferramenta desenvolvida a pedido de Cunha será a disposição, no painel do plenário, dos deputados que não forem votar.
“Tudo feito com a maior transparência”, concluiu o deputado com um riso de canto de boca.