Mais de noventa por cento da população de Itaberaba ainda não tem tratamento de esgoto e boa parte não tem acesso a água tratada. É o que revela levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil com base nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados pelo Ministério das Cidades.
Enquanto o Brasil tem (46,8%) de residências com esgoto coletado, Itaberaba está entre os piores municípios do País, com apenas 7,47% de atendimento. Essa realidade é fácil constatar quando andamos pelas diversas ruas da cidade e encontramos o esgoto correndo a céu aberto.Outro grave problema, é o fornecimento de água. Boa parte da zona rural ainda não dispõe do fornecimento de água, sendo abastecida através de carros pipas.
Em 2012 a empresa STEMAC ganhou uma licitação de aproximadamente R$ 50 milhões, para executar as obras de esgotamento sanitário e misteriosamente abandonou os serviços. Naquela época, o vereador Ricardo Pimentel (PROS) relatou que tratava-se de uma tentativa do prefeito João Filho (PP) receber vantagens pessoal da empresa e pelo fato de não aceitar, preferiu deixar a obra. “Os donos da empresa relataram naquela época que o gestor estava pressionando, para pagar valores abusivos . Chegou a denunciar que teve pedido de máquinas e trabalhadores para serem empregados em obra particular” denunciou Pimentel.
Stemac executando obras de esgotamento na cidade
Na verdade, essa tentativa do gestor pressionar a empresa STEMAC prejudicou a população e hoje estamos vendo mais um resultado negativo. Sendo classificada, como uma das piores cidades em Índice de esgotamento sanitário.
Sem falar que todo o esgoto da cidade, que não é tratado, é despejado no Açude Juracy Magalhães e Rio Piranhas que por sua vez desemboca no Rio Paraguaçú, contaminando o principal manancial de água do Estado da Bahia
Os números mostram que a coleta de esgoto vai ser um desafio para os próximos gestores e que depois de oito anos da gestão João Filho, quase nada se fez com relação a esse problema, que é a principal causa de doenças no Páis.
O ESTUDO – O ranking nacional feito pelo Trata Brasil com as cem maiores cidades mostra que apenas dois municípios, Belo Horizonte (MG) e Franca (SP), têm 100% de esgoto coletado. Piracicaba (SP), Contagem (MG) e Curitiba (PR) têm mais de 99%. Já as cidades de Ananindeua e Santarém, no Pará, são as duas piores do ranking, com nenhum esgoto coletado.
“Estamos separando o Brasil em ‘ilhas’ de Estados e cidades que caminham para a universalização da água e esgotos, enquanto que uma grande parte do Brasil simplesmente não avança. Continuamos à mercê das doenças”, afirma Carlos.
Já quando a análise é sobre o esgoto tratado, o índice nacional cai para 40,8%, apesar da pequena melhora de 2,9 pontos porcentuais desde 2010. Apenas três cidades paulistas (Limeira, Piracicaba e São José do Rio Preto) tratam 100% do esgoto coletado. Por outro lado, cinco municípios, entre os quais Governador Valadares (MG), Porto Velho (RO) e São João de Meriti (RJ), não tratam nada.
Os dados mostram que o índice nacional de perdas de água na distribuição, que mede o desperdício, foi de 36,7% em 2014, ano marcado pela estiagem no Sudeste e Nordeste do Brasil.