Moradores do bairro do Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador, relataram terem sido mordidos por morcegos na última semana. Segundo informações de quem reside no local, mais de 20 pessoas teriam sido mordidas pelos animais.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), 17 moradores deram entrada no Hospital Couto Maia para tomar a vacina contra a raiva e imonuglobulina (anticorpos).
Apesar da situação, que vem assustando os moradores, o chefe do setor de vigilância contra a raiva do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Arnaldo Carneiro, diz que não há motivo para pânico, sendo importante a prevenção: “É preciso fechar as janelas e checar se há frestas nos telhados que possam servir de entrada para o animal”.
Na próxima terça-feira, 16, a previsão é que 30 agentes de endemias visitem o bairro, reforçando a vacinação em cães e gatos, checando se há vítimas expostas e locais com colônias de morcegos.
Segundo dados do CCZ, além desses casos, 31 pessoas de outras regiões da cidade com quadros clínicos semelhantes deram entrada no Couto Maia, desde o mês de março.
Na rua dos Ossos, onde pelo menos três pessoas relataram ataques, moradores afirmam que têm dormido temerosos. Na casa de n.º 58, mãe e filho contaram que foram alvos dos bichos.
O técnico em refrigeração Matheus Andrade, 22, disse que foi mordido três vezes, esta semana, em duas ocasiões. Antes, a mãe, Rose Andrade, 54, também havia sido mordida e disse ter visto o morcego. “Minha mãe foi na semana passada. A gente chegou a pensar que havia sido um corte”, contou.
Segundo o veterinário Arnaldo Carneiro, é comum as pessoas confundirem a mordida de morcego com um simples corte. “A saliva do morcego é anestésica. Por isso, a pessoa deve redobrar a atenção”, explicou.
Dormindo
Matheus disse que foi mordido enquanto estava dormindo, na semana passada. “Eu só acordei porque senti a cama molhada de sangue. Fui ao médico e me orientaram a tomar vacinas antirrábica e antitetânica e, depois, me mandaram ir ao Couto Maia”, acrescentou.
Também moradora da rua dos Ossos, a bióloga Miriam Perez, 32, contou que não tem conseguido dormir. “A gente está vivendo dias de pânico. As casas da rua são antigas, com vãos abertos. Há muitas que ficam fechadas ou abandonadas. Vamos ter que proteger tudo com telas para os morcegos não entrarem”, afirmou.
Ao saber do que aconteceu com os vizinhos, Miriam disse que ligou para o CCZ. “Eles estiveram aqui esta semana, mas não sei se alguma medida foi de fato tomada”, ressaltou.

Orientação
Segundo o Veterinário Arnaldo Carneiro, apenas um em cada 100 morcegos transmite raiva. Embora a percentagem de animais transmissores seja pequena, o Centro de Controle de Zoonoses vem orientando a população a evitar o contato com o mamífero voador.
No entanto, o órgão alerta sobre os perigos de uma possível atituade de predação ou captura dos morcegos.“O cidadão não deve perseguir os morcegos, pois esses animais são importantes para o equilíbrio ambiental”, explica o veterinário Arnaldo Carneiro.
O especialista orienta que, ao encontrar um animal morto ou com dificuldades para voar, o cidadão pode contactar o órgão, ligando para 71 3611-7310.
Na próxima terça, agentes da Secretaria Municipal de Saúde estarão no Centro Histórico para orientar os moradores sobre como evitar o contato com os morcegos.
Características
Das 137 espécies deste animal silvestre, apenas três são hematófogas (alimentam-se de sangue). Com baixa visão e orientação por uma espécie de “sonar”, os morcegos costumam capturar as presas no período da noite. Por isso, a maioria das pessoas mordidas estão dormindo durante os ataques.
A importância do morcego para o ambiente está na capacidade de caçar mosquitos Aedes aegypti, transmissores de doenças.
*Estagiário sob a supervisão do editor-coordenador Luiz Lasserre