A Polícia Federal intimou o ex-presidente Lula a prestar depoimento no âmbito da Operação Zelotes para investigar venda de trechos de medidas provisórias para algumas montadoras, entre elas a Caoa, representante da Hyundai, e a MMC Automotores, fábrica da Mitsubishi no Brasil. O mandado já foi expedido e define a data do depoimento para a próxima quinta-feira (17), em Brasília. As provisórias 471/2009 e 512/2010, assinadas durante o governo Lula, teriam beneficiado o setor automotivo.
O empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho de Lula, também já prestou depoimento sobre o caso e teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça essa semana. Ele é citado na investigação por ter recebido R$ 2,5 milhões da empresa Marcondes & Mautoni, do lobista Mauro e Cristina Marcondes, que atua na defesa das montadoras. O filho de Lula afirma que o dinheiro é referente a prestação de serviços na área de sua atuação, esporte.
A polícia sustenta ainda que trechos da consultoria apresentada por Luís Cláudio como prova de prestação de serviços foram extraídos da internet. O advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que vai recorrer contra a decisão de Vallisney Oliveira de autorizar a quebra do sigilo bancário e fiscal da LFT Marketing Esportivo e outras empresas de Luís Cláudio. Segundo o advogado, o caso já foi investigado num inquérito já encerrado e, por isso, não poderia ser objeto de uma nova investigação.
Outro citado na investigação é o ex-ministro Gilberto Carvalho, que, de acordo com a PF, seria próximo aos lobistas. Em nota, o ministro nega as acusações.