Sobre o caso Dalva Sele Paiva, ex-presidente da ONG Instituto Brasil, que acusou políticos petistas de receber recursos federais destinados a programas habitacionais no estado, a promotora Rita Tourinho disse nesta quarta-feira (20), em entrevista à Rádio Metrópole, que a investigação não parou.
A denuncia foi publicada pela revista Veja e desde 2010 o Ministério Público investiga o Instituto Brasil, uma ONG criada pelos petistas da Bahia. Em 2008, a entidade foi escolhida pelo governo do estado para construir 1 120 casas populares destinadas a famílias de baixa renda. Os recursos, 17,9 milhões de reais, saíram do Fundo de Combate à Pobreza. Os investigadores já tinham reunido provas de que parte do dinheiro desaparecera, mas não havia nada além de suspeitas sobre o destino final dele. O mistério pode estar perto do fim. Em entrevista a VEJA, a presidente do instituto, Dalva Sele Paiva, revela que a entidade foi criada para ajudar a financiar o caixa eleitoral do PT na Bahia,um esquema que funcionou por quase uma década com dinheiro desviado de “projetos sociais” das administrações petistas. A engrenagem chegou a movimentar, segundo ela, 50 milhões de reais desde 2004. O golpe era sempre o mesmo: o Instituto Brasil recebia os recursos, simulava a prestação do serviço e carreava o dinheiro para os candidatos do partido. Como os convênios eram assinados com as administrações petistas, cabia aos próprios petistas a tarefa de fiscalizar. Assim, se o acordo pagava pela construção de 1 000 casas, por exemplo, o instituto erguia apenas 100. O dinheiro que sobrava era rateado entre os políticos do partido.
Na denuncia até o nome do atual governador Ruy Costa foi citado como beneficiário do esquema. A revista veja publicou a matéria em setembro de 2014, com o titulo ” A ARTE DE ROUBAR DOS POBRES”.
A promotora afirma que as investigações continuam: “Temos uma ação de improbidade e, além disso, o caso foi repassado pra o Ministério Público Federal (MPF), até porque as últimas denúncias davam conta de pessoas que tinham o foro privilegiado. Então, foi encaminhado para o MPF, mas acreditamos que não está parado. Ela não está desaparecida, a mídia não está em cima desse caso, o MP estadual não está em cima desse caso e isso foi passado para o MPF, isso está sendo resolvido por lá”, disse.
Na época foi explorado a questão do sumiço da denunciante Dalva Sale. Mas segundo a promotora ela não sumiu. Contudo, Rita Tourinho não disse onde está Dalva.