A Secretaria de Ação Social e Cidadania de Itaberaba, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM) realizou, entre os dias 16 e 18 de agosto, um curso de capacitação voltado para agentes e profissionais da Rede Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O treinamento que aconteceu na Estação da Cidadania em Itaberaba foi ministrado pela assistente social e técnica dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Geane Soares Silva, e por Uiara Lopes, que é técnica da SPM e atua no Eixo de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.
O curso foi voltado para agentes do CRAM e para os demais representantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher: Conselho Tutelar, Conselho de Direito das Mulheres, CRAS, CREAS, 11º Batalhão de Polícia Militar, Ministério Público e Defensoria Pública. Outros órgãos e entidades como o Caps, Casa de Acolhimento de Crianças e Adolescentes, CPR Chapada, 12º Corpin, varas da Infância e Juventude, órgãos de serviço de saúde, educação e outros setores também puderam participar do encontro.
A palestrante Uiara Lopes fez um balanço sobre a política de enfrentamento a violência contra as mulheres e explicou como se dá a atuação da SPM em toda Bahia a partir de três recortes: gênero, raça e diversidade. Ao contextualizar a luta das mulheres no campo dos direitos humanos, Uiara falou sobre a necessidade de compreender o processo histórico e cultural da sociedade patriarcal e sobre a importância do feminismo como forma de resistência para a elaboração e execução de políticas públicas que garanta o acesso e a permanência da mulher nos diversos espaços sociais.

Entre os temas debatidos durante a capacitação, a violência contra a mulher, por ser o mais urgente, foi o mais abordado pelas palestrantes e pelas participantes. segundo Uiara, esta é uma pauta que deve ser analisada em sua complexidade já que o ciclo de violência em muitos casos tem a ver com a falta de liberdade e de autonomia financeira da mulher. “A possibilidade da mulher ter sua autonomia financeira e fortalecer seu vínculo social com famílias e amigos é um meio de proteção porque muitas vezes a mulher continua com o agressor porque quando uma mulher, com filhos principalmente, se desvincula do agressor, ela se pega pensando na dependência financeira, isso é infelizmente perpetua o ciclo de violência. então precisamos lutar por igualdade de oportunidade e equidade salarial no mercado de trabalho”. Para Uiara as mulheres têm por natureza a resistência e a capacidade de lutar para além dos seus limites, mas isso também tem causado o adoecimento de grande parte delas.

A palestrante Geane Soares Silva explicou sobre a dinâmica de atuação dos CRAMs, um dos equipamentos mais importantes no enfrentamento à violência contra a mulher. Espalhados por diversos municípios da Bahia, os CRAMs tem como finalidade, encaminhar para o atendimento e atender a mulher em situação de violência. Geane pontuou também que os CRAMs fornecem subsídios técnicos e estatísticos para a prevenção, o combate e a erradicação da violência física, psicológica e emocional contra as mulheres. A palestrante ainda destacou o caráter intersetorial das ações do CRAM. “O Centro de Referência de Atendimento à Mulher age sempre em parceria com outros órgãos que atuam na defesa dos direitos humanos, com o intuito de oferecer à mulher um atendimento qualificado e humanizado”.
Entre as atribuições do CRAM, Geane Silva destacou o acolhimento, aconselhamento em momentos de crise, atendimento psicossocial, acompanhamento jurídico, qualificação profissional, articulação com a rede de atendimento local e levantamento de dados locais sobre a situação da violência vivenciada por mulheres.
