Mais três diagnósticos de H1N1 foram confirmados em São Paulo, estado onde têm sido notificados casos fora de época da infecção por esse vírus da gripe. Desta vez, o humorista Tom Cavalcante, a mulher, Patrícia, e a filha mais nova do casal, Maria, de 16 anos, foram internados na capital paulista com sintomas da doença. De acordo com a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo, embora o pico de circulação do H1N1 no Sudeste seja em junho e julho, já é preciso ficar atento desde agora com a gripe suína.
— É um vírus que prefere temperaturas amenas. A queda de temperatura facilita a transmissão porque favorece a permanência dele em gotículas no meio externo (fora do corpo humano) — explica.
Tipo de influenza A, o H1N1 provoca os mesmos sintomas que outros vírus da gripe. A diferença é que, quando o quadro infeccioso se complica, há aparecimento precoce de falta de ar — no segundo ou terceiro dia após as primeiras manifestações de tosse seca e febre alta. Embora sejam raras, complicações podem acometer mesmo adultos jovens sem doenças crônicas associadas.
— O H1N1 tem potencial de replicação maior que o H3N2 (outro influenza A) no trato respiratório — diz Nancy Bellei. — Nos casos que evoluem sem complicar, a diferenciação de qual vírus causou a gripe só pode ser feita através de exames laboratoriais.
Segundo a infectologista, em 2015 foram vistos mais casos de H3N2 do que de H1N1 no Brasil. No entanto, o vírus da gripe suína predominou na segunda parte do inverno do hemisfério norte, o que pode ter antecipado a chegada dele aqui, trazido por turistas. Assim, espera-se que haja aumento de casos de H1N1 neste ano.
Fique por dentro
O H1N1 é transmitido de pessoa a pessoa, sobretudo por tosse ou espirro.
Os sinais da gripe surgem depois do período de incubação do vírus, de três dias: dor de garganta, dor de cabeça, febre alta (acima de 39 graus), tosse seca (em até 24 horas após os primeiros sintomas), cansaço e dor no corpo. Espirros e coriza não ocorrem em todos os casos.
Lavar as mãos com frequência é o mais importante. Dormir bem, controlar o estresse, beber bastante líquido, comer alimentos saudáveis e evitar contato com pessoas doentes reforçam a proteção.
A mudança de tempo (calor e frio) não afeta o organismo a ponto de facilitar a infecção por H1N1, garante Nancy Bellei.
Crianças de até 2 anos, idosos, gestantes e doentes crônicos têm mais risco de complicação.